Relatório Final Pesquisa APQ-00023-13

RELATÓRIO FINAL DE PESQUISA

FAPEMIG

Título:

“Uso da Computação móvel como Instrumental para o Desenho Universal: Educação, Avaliação e Melhoria do Espaço Urbano.â€?

Processo APQ-00023-13

Coordenador:

Prof. Dr. Renato Cesar Ferreira de Souza

Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

Rua Paraíba 697, Funcionários, Belo Horizonte, Minas Gerais

CEP 30130-140

 

Email: rcesar AT pesquisador.cnpq.br

 “A Cidadania é extensiva a todos os habitantes da cidade, conferindo-lhes dois direitos fundamentais: o direito à participação e o direito à apropriação dos seus espaçosâ€?.[1]

Carta de Montreal.JPG
Desenho da capa da Carta Montrealense de Direitos e Deveres (2005)

 

Conteúdo

Introdução 5

Aspectos do projeto 6

Caracterização do problema: o acesso à cidade 6

Pressupostos 7

Hipótese: Tecnologia da Informação como instrumental 8

Novas formas de pensar o urbano 11

Produtos Originados 12

Questões técnicas 14

Acessibilidade 20

Habitabilidade 22

Riscos 24

Design Universal 26

Uso do Aplicativo 29

Interfaces para computadores desktops 30

Interfaces para dispositivos móveis 35

Estatísticas para o Campus 37

Projetos de desenho urbano elaborados com o apoio do instrumental 40

Conclusão 42

Bibliografia 44

Introdução

Este relatório descreve e analisa objetivamente os resultados da pesquisa “Uso da Computação móvel como Instrumental para o Desenho Universal: Educação, Avaliação e Melhoria do Espaço Urbanoâ€? apoiada financeiramente pela FAPEMIG no período de 2013 a 2015.

Foi proposta uma investigação sobre o potencial do recurso mencionado, quando utilizado como instrumento de auxílio para o ensino/aprendizagem do projeto de espaços urbanos e para o apoio à sua gestão. Através de um web-aplicativo, na internet, e de software gratuito para telefones celulares e dispositivos móveis, os usuários de determinado setor urbano fizeram relatos de categorias de incidentes ambientais testemunhados por eles, num determinado período de tempo. Tais relatos foram documentados com fotografias e filmagens feitas com seus celulares, e eram imediatamente georefereciados pelos dispositivos e enviados, via web, a um computador servidor. Na internet, o servidor exibia publicamente os relatos de incidentes ambientais, representando-os sobre um mapa (http://pq.arq.ufmg.br/ufmg). Desta forma, foi possível obter a visualização dos relatos em tempo real, localizados geograficamente, numa linha sequencial de modo a permitir a observação da data de inclusão dos registros, sua evolução e seus aspectos geo-estatísticos.

O presente relatório sumariza os seguintes aspectos, que são complementares às informações enviadas através do formulário online para prestação de contas na plataforma FAPEMIG – Everest:

  • Aspectos do projeto;
  • Principal produtos originados
  • Análise e conclusão.

Aspectos do projeto

Caracterização do problema: o acesso à cidade

No Brasil, os reflexos do crescimento mundial da população urbana (WHO, 2014) se fizeram acompanhar de peculiaridades bastante definidoras do espaço urbano. Este crescimento pode ser verificado a partir do aumento populacional das cidades brasileiras, desde 1940, que era, então, de 31\% de brasileiros moradores em espaços urbanos, para 82\% no ano de 2000 (IBGE, 2001). Na década de 1970 esse crescimento foi acompanhado por um forte movimento migratório, do espaço rural para as cidades, num momento onde inexistiam políticas públicas representativas dos interesses democráticos. Todos estes fenômenos configuraram um cenário de desequilíbrios econômicos e sociais que marcaram a forma dos novos territórios metropolitanos, sobretudo no sudeste brasileiro (IBGE, 2001).

Ao fim da ditadura em 1985, iniciou-se a adaptação do neoliberalismo ao contexto brasileiro, baseado nos exemplos internacionais que eram hegemônicos em todo mundo, liderados pela América do Norte e Reino Unido. Isso contribuiu na composição de um tipo de urbanismo brasileiro dentro do qual o pensamento político aplicou estratégias de desenvolvimento econômico baseadas nos ideais de mercado livre e Estado mínimo, resultando numa ruptura entre a economia e as realidades sociais no país, e iniciando simultaneamente uma destruição metódica das estruturas coletivas da sociedade civil, seus espaços e seus direitos, tal como bem apontou Bourdieu[2]. O surgimento de expressões identitárias peculiares, a partir desse período, talvez possa ser compreendido como um processo originado pari passu com o modo neoliberal desenvolvido, uma vez que era necessário para essa sua versão o combate ao cidadão naquilo que ele poderia representar de coletivo, de convívio ou de organização de classe. Desestruturá-lo e estimular seu individualismo, portanto, pareceram metas alinhadas à consolidação daquela política neoliberal.

Assim, a partir de 1985 ocorreu, em todo país, a empresarialização das governanças locais, a privatização de diversos serviços públicos e uma mercantilização generalizada dos espaços das cidades brasileiras (Cf.: UGO ROSSI, 2015). Estes elementos constituem os fundamentos necessários para a compreensão de como territórios urbanos tomaram forma no Brasil, e é neste contexto que se inscreve o problema tratado nesta pesquisa, a saber, a possibilidade de criação e gestão de espaços urbanos com características físicas que não segreguem e nem alienem a população, evitando reforçar a inequidade histórica no que se refere ao acesso à cidade.

Pressupostos

O princípio que orienta esse trabalho é a crença no direito dos cidadãos de possuírem uma vida urbana com todas as vantagens e com pleno acesso aos serviços da cidade, podendo se envolver diretamente na gestão do território, por meios que procurem contrabalançar as ênfases capitalistas que se interpuseram ao longo do tempo sobre o direito de acesso aos espaços públicos (FRIEDMANN, 1987). Esse pressuposto tem como meta estimular a criação de políticas que promovam o reconhecimento do valor de uso e do valor coletivo (dito histórico) dos espaços comuns da cidade. Essa premissa, que na atualidade é um ideal abraçado por ONGs, muitos movimentos sociais e alguns governos, iniciou no Brasil sua implementação exatamente ao final de um ciclo fortemente caracterizado por ações neoliberais no urbanismo, quando foi sancionada a lei conhecida como “Estatuto das cidadesâ€? (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 10 de julho de 2001). Tendo como intenção estabelecer normas gerais de ordem pública e interesse social para regular o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, simultaneamente abrigou ideais de parceria entre ações públicas e privadas, nos moldes políticos em que foi concebida. Passados 10 anos, e parece ser necessário rever criticamente seu aspecto jurídico, visando criticar as práticas neoliberais ambíguas que essa lei tem sustentado em todo país e que seguem rumo à preponderância do capital privado sobre o direito dos cidadãos.

Hipótese: Tecnologia da Informação como instrumental

Simultaneamente ao acelerado processo de urbanização mencionado inicialmente, transformou-se em todo mundo a chamada sociedade industrial em sua versão contemporânea: a sociedade do conhecimento (FEENBERG, 1991). Com isto, o desenvolvimento de novas formas de comunicação e de acesso à informação potencializaram práticas sociais e informacionais mais interferentes sobre o espaço da cidade. O uso da Tecnologia da Informação (TI) em larga escala modificou o modo como os cidadãos lidam com o território urbano. O emprego da comunicação e das representações dos espaços abriu novos significados para a interação e a sociabilidade (STEFIK, 1996) e as relações entre formas sociais e as formas físicas da cidade mudaram dramaticamente (FEENBERG, 1991). Cabe refletir sobre até que ponto a TI pode ser tomada como prevalente sobre o desenvolvimento social, no interior da ideia de uma revolução tecnológica que foi apregoada desde então.

Nas décadas de 1980 e 1990 imaginou-se que a Realidade Virtual (GILLESPIE, 1992) encurtaria distâncias reais (VIRILIO, 1993) retirando do mundo físico a sua utilidade. Com o encurtamento das distâncias ocasionado pela interatividade generalizada, acreditou-se que as cidades desapareceriam. Na década de 2000 observou-se a consolidação de mentalidades que celebravam o conceito de aldeia mundial, sem divisas, num mundo espalhado onde, na realidade, consolidaram-se cenários políticos fundamentalistas, no ocidente e no oriente.

As perspectivas anteriores conduziram as profissões preocupadas com o espaço construído à crise da noção acerca das dimensões físicas do espaço, do lugar, da região e da cidade (MCCULLOUGH, 2004), com o sentenciamento de que a rede de comunicações que se estabelecia através da TI negaria naturalmente a geometria do mundo físico (MITCHELL, 1995). Aqueles profissionais dedicaram-se, então, majoritariamente, às questões propostas pela concepção determinística de desenvolvimento tecnológico (ARNOLD, 2003), segundo a qual a assim chamada revolução tecnológica seria o principal agente capaz de mudar a sociedade. Os anos iniciais da década de 2000 talvez sejam pródigos em exemplos deste fenômeno, num cenário de desvalorização gradativa das atividades do planejamento arquitetônico, urbano e regional, transformados no que se concebeu, aqui no Brasil, como planejamento estratégico, de tempo circunscrito no prazo dos mandatos políticos. Da mesma maneira, as preocupações com a forma, a geometria, e os aspectos concretos da relação do espaço com as atividades humanas da cidade transformaram-se em questões menores, uma vez que se acreditava que seriam solúveis a partir, simplesmente, do desenvolvimento tecnológico.

Entretanto, no início dessa década, como consequência da crescente crise econômica mundial, a situação de pobreza e desigualdade extremas nas cidades fez retornar o paradigma segundo o qual somente as mudanças sociais são capazes de conduzir à melhoria da qualidade de vida. Nesse determinismo social, o desenvolvimento tecnológico é conduzido pela evolução da sociedade, da mesma forma como se pensou acerca da revolução tecnológica, alguns anos atrás. A interpretação aqui apresentada talvez possa encontrar fundamentos com a observação das modificações no interior das profissões e dos conteúdos disciplinares das formações profissionais em Arquitetura e Urbanismo. O que o determinismo tecnológico parece ter em comum com o determinismo da evolução social, no interior do debate sobre tecnologia e sociedade, é que ambos não consideram os problemas concretos dos espaços das cidades como relevantes na busca de soluções. Quanto à participação da população, tanto o paradigma tecnológico quanto o da evolução social retiraram das mãos dos técnicos as principais decisões sobre a administração do quotidiano. Entretanto, necessita-se esclarecer como a participação popular pode se posicionar continuamente, para além do senso comum sobre o termo e para além do simples escrutínio, isolado de maiores estudos, das necessidades imediatas das pessoas.

Na década presente, com a difusão do uso de dispositivos móveis para comunicação, dispositivos dotados de capacidades computacionais em rede, mais uma vez a importância do espaço físico parece estar se modificando: uma miríade de recursos pode ser explorada por arquitetos e desenhistas urbanos quando decidem incluir capacidades computacionais nos seus projetos, espalhando os recursos no meio ambiente construído para o apoio às atividades das pessoas. Estas novas possibilidades têm, com efeito, desafiado aqueles profissionais. Elas os confrontam com uma grande gama de variáveis implicadas em situações espaciais específicas, quando se trata de projetar um lugar urbano ou um edifício. Retornando à discussão acerca da dissolução dos espaços na teorética determinista contemporânea, nos confrontamos agora com uma materialidade que apresenta um grau de complexidade sem precedentes na história humana (PAWLEY, 1998). A literatura aponta que, passado o tempo das predições futuristas feitas por autores que aceitavam o determinismo tecnológico sobre a evolução social e vice-versa, a natureza da TI está sendo agora compreendida como entrelaçada à produção material dos espaços (SOUZA, 2010). Assim, verifica-se um panorama onde se concebe uma nova ideia: a de que a materialidade construída dos espaços urbanos e as redes de TI, aplicadas na cidade, estabelecem um estado de recursividade, modelando-se mutuamente. Conforme apontado por McCullough (2004), ‘a computação ambiental começa pela geometria[3]’(p.98). Segundo aquele autor, é preciso estar atento aos desafios e às oportunidades que as novas tecnologias potencializam. Contudo, atualmente, enfrenta-se ainda a ausência de um quadro teórico unificado entre os campos de conhecimento envolvidos numa computação que considere as relações entre o contexto urbano e as formas sociais da cidade (GREENFIELD; SHEPARD, 2007). A presente pesquisa pretende contribuir nesse sentido, investigando relações mediadas pela TI com a melhoria possível no projeto e gestão dos espaços urbanos congestionados.

Novas formas de pensar o urbano

A questão urbana vem sendo alvo recorrente de investigação por diferentes disciplinas científicas, dada sua relevância na contemporaneidade, com a intensificação do processo de urbanização mencionado inicialmente. A emergência da produção teórica nesse campo pode ser distinguida de duas formas: a primeira, derivada da análise dos processos e agentes produtores da cidade; a segunda em função do desempenho do espaço construído e apropriado pela população, residente ou flutuante. Nesta pesquisa, teve-se particular interesse sobre a segunda forma apresentada, a qual sintetiza na forma urbana seu objeto de estudo. A expressão ‘forma urbana’ aponta diferentes direções conceituais. Contudo, são inerentes ao termo sua qualidade material e sua qualidade cognitiva, remetendo necessariamente à organização social da cidade por meio de suas características físicas e configuracionais.

Muitas críticas vêm sendo formuladas sobre as metodologias vigentes de planejamento urbano, especialmente às limitações dos planos diretores. Essa pesquisa pretendeu contribuir com alternativas capazes de apoiar mudanças na forma de planejar e compreender a cidade, através do uso de novos métodos ou com a associação de diferentes tecnologias. Tal ocorre em função da urgência social pela transformação do status quo, seja em função da utilização inequânime dos recursos acumulados na forma urbana, do atraso na produção do conhecimento, ou ainda dos prejuízos referentes aos aspectos morfológicos do processo de urbanização no Brasil. A busca pela condição ideal e pela satisfação dos anseios historicamente colocados pelos indivíduos atribui à forma urbana a condição de situação relacional, mais do que simples objeto. Ou seja, as maneiras de compreensão e representação da forma urbana em função do desempenho morfológico em relação às expectativas socialmente definidas.

Da mesma forma, é urgente o resgate da importância do âmbito público, imprescindível para uma sociedade aberta e democrática, historicamente representados pelos espaços abertos de uso coletivo, como ruas e praças. A consciência das diferenças de desempenho das várias unidades morfológicas – praças, ruas, vias, espaços residuais etc. – sugere, portanto, a necessidade de uma metodologia projetual capaz de sintetizar esses conceitos na produção de um espaço com melhores condições de apropriação social.

Portanto, em relação aos argumentos arrolados acima, a pesquisa foi orientada e compartilhada com o grupo de pesquisa em Computação Ambiental (https://pq.arq.ufmg.br). A próxima seção sumariza os produtos e descreve alguns dos aspectos técnicos mais importantes.

Produtos Originados

São os seguintes os produtos originados nesta pesquisa, de acordo com a classificação do formulário online Everest-FAPEMIG:

  • 02 Dissertações de mestrado: Dois mestrandos do NPGAU EAUFMG (programa de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG) interessaram-se no desenvolvimento de seus trabalhos no contexto dessa pesquisa. São elas:
      • MAPAS COLABORATIVOS E O ESPAÇO PÚBLICO: A utilização de sistemas de mapeamento colaborativo online como ferramenta nos processos de requalificação urbana. (Fernando Pacheco do Nascimento, 2o. sem. 2015. ) e
      • AVALIAÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL DE ESPAÇOS URBANOS ATRAVÉS DA ANÃ?LISE ESPACIAL E DAS REDES SOCIAIS FORMADAS POR TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO. (Riane Ricelli, 1o sem. 2015)
  • 02 trabalhos de Iniciação Científica: Houve dois Bolsistas de Iniciação Científica, a saber: Marina Palmito, FAPEMIG e Lucas Monteiro, através agência CNPq / PRPq – UFMG.
  • 03 trabalhos completos apresentados em anais dos seguintes congressos (textos anexados ao formulário online Everest-FAPEMIG):
      • Advances in Cleaner Production, Proceedings of the 5th International Workshop, May 20th-22nd, 2015, São Paulo;
      • TIC 2015 – VII ENCONTRO DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA CONSTRUÇÃO;
      • XIX ARQUISUR 2015, Faculdade de Arquitetura ULNP Buenos Aires, Argentina.
  • Mapas e similares: Conjunto de mapas para Site https://pq.arq.ufmg.br/ufmg e mapas analíticos dos incidentes ambientais.
  • Materiais didático pedagógicos: Conjunto de menus contextuais adaptado com critérios de avaliação ambiental para o site https://pq.arq.ufmg.br/ufmg. Verificou-se que a simplificação das informações na forma de tool tip, sobre os ícones do site, eram mais facilmente acessadas e compreendidas, conjuntamente com o treinamento da equipe e dos usuários.
  • Software: Adaptação da plataforma USHAHIDI para smartphones e tablets e site em http://pq.arq.ufmg.br/ufmg
  • Video Filmagem: pitch para a mostra FAPEMIG 2015 disponível em https://youtu.be/-u4OpmUAmzo

Questões técnicas

Inicialmente a programação do aplicativo seria feita na Linguagem Objetive-C (C++ adaptado pela companhia Apple[4]), através de seu compilador Xcode. Um aplicativo para planejamento de mock up´s foi utilizado no desenho de campos e toques de comandos, para atender a todos os requisitos planejados na proposta inicial. Ficou claro, entretanto, a dificuldade de ter que se reescrever a programação para outras plataformas de computação móvel, o que se agravou com a falta de bolsistas. Outro fato foi determinante do abandono do Objetive-C para escrever o software: a equipe já tinha uma experiência nesse sentido, distribuindo gratuitamente pela AppleStore[5] um outro aplicativo que desenvolvera e que se constitua numa primeira etapa de implantação de um sistema de computação ubíqua para controle de vagas de estacionamentos na UFMG( http://www.arq.ufmg.br/rcesar/estaciona/). Durante o processo de consecução do aplicativo, a companhia Apple modificou seu sistema operacional iOS por duas vezes, tornando o aplicativo obsoleto para seus dispositivos. A solução foi reescrevê-los, e re-submetê-los novamente para a distribuição gratuita. No início de 2014, a companhia Apple alertou que a distribuição, mesmo que gratuita, deveria ser paga ao valor de aproximadamente 100 dólares anuais. Esse valor foi pago para que aquele aplicativo continuasse disponível ao longo do ano de forma a permitir concluir aquela pesquisa. Entretanto, novas atualizações do sistema operacional continuaram sendo feitas, restringindo novamente os dispositivos capazes de rodar o aplicativo.

Diante dessa política insustentável para a nossa realidade como pesquisadores brasileiros, e diante da continuada obsolescência programada que parece fazer parte da política daquela companhia, abrimos mão do Objetive-C, e fomos buscar plataformas abertas, gratuitas e mais eficientes. Uma pesquisa exploratória neste sentido nos conduziu ao conhecimento da plataforma Ushahidi (http://www.ushahidi.com/), desenvolvida por uma Organização Não Governamental que nasceu no Quênia, e que buscou causar impacto social positivo com o registro e divulgação da informação de conflitos sociais e guerras civis. Essa ONG utilizou seu banco de dados para disseminar informação – em tempo real – sobre desastres naturais (como terremotos) e monitorar eleições e alcançou 45 mil usuários no Quênia, expandindo-se para outras áreas do globo. Hoje têm voluntários na Europa, América do Sul e nos EUA e o mapeamento que realiza pode ser visto como uma iniciativa que gera benefícios em escala global. Ushahidi, que quer dizer “testemunhoâ€? em suaíli, língua do Quênia, foi utilizado para facilitar o atendimento aos feridos no furacão que atingiu o Haiti em 2010, ajudou no mapeamento das áreas com energia elétrica após o furacão Sandy (EUA, 2012) e também serviu para a coleta de informações durante os conflitos na Líbia.

A instalação do Ushahidi foi customizada pela equipe de pesquisa sob uma versão Linux gratuita, e o aplicativo foi reescrito e redesenhado. O resultado encontra-se em http://pq.arq.ufmg.br/ufmg/. Modificações nas folhas de estilo e programações de formulários foram possíveis e depois disso, testamos os browsers populares para desktops, e obtivemos uma resposta bem positiva. A solução dada pela plataforma para rodar nos demais dispositivos móveis foi decisiva para a sua escolha: ela possui um pequeno aplicativo para pads, ipods tablets e celulares, distribuído gratuitamente nos “storesâ€? das companhias Apple Store[6] e Google Play[7]. Esse pequeno aplicativo para celulares permite a inserção do endereço URL para que a visualização se torne responsiva, ou seja, se adapte com facilidade aos procedimentos para uso na confecção de relatos sobre incidentes ambientais (será explicado abaixo).

Para o estudo de caso, escolheu-se o território do campus Pampulha da UFMG, pela aparente simplicidade de seu traçado viário, sua intensa vida social, e sua área significativa e bem demarcada com atividades diversas. A universidade apresenta atualmente muitos desafios, dentre os quais o planejamento físico e territorial, visando melhorar suas instalações e funcionamento em constante interação e solidariedade com a realidade urbana e social nos seus arredores e com a cidade.

Figura1: Situação do Campus na cidade de Belo Horizonte. Image_25

Fonte: elaborado pelo autor

Atualmente o Campus Pampulha possui 8.769.690m² de área, 639.777m² de área construída, 14.428 estudantes de pós-graduação e 32.196 estudantes de graduação. Um histórico do processo de planejamento da UFMG pode ser entendido em cinco fases (BRANCO, 2012). A primeira que vai da fundação, em 1927, até 1949, quando ocorreu a federalização da UFMG e foi marcada pela ausência de um campus central. É o período das faculdades isoladas. O segundo período vai de 1949 até 1962, da federalização da UFMG até a inauguração do prédio da Reitoria no Campus Pampulha. Nesse segundo período o planejamento físico da UFMG deu-se em torno do chamado ‘Plano Pederneiras’, que previa a construção do campus da UFMG no bairro Santo Agostinho, a partir de projeto arquitetônico neoclassicizante. A terceira fase teve início em 1962, com a inauguração do prédio da Reitoria no Campus Pampulha, com projeto do arquiteto Eduardo Mendes Guimarães Júnior. Uma quarta fase, iniciada no final da década de 1990, conhecida como Campus 2000, está em vias de se completar, com a transferência das últimas unidades acadêmicas para o Campus Pampulha.

Abre-se, então, a atual fase do planejamento físico e territorial da UFMG, que tem duas grandes vertentes. A primeira diz respeito à ampliação do âmbito de abrangência do planejamento, pela inclusão de todas as unidades territoriais da UFMG. A segunda vertente diz respeito à requalificação do Campus Pampulha pela realização de quatro intervenções estruturantes:

  1. um novo plano de mobilidade (circulação, trânsito, transporte, estacionamento);
  2. uma nova estrutura de serviços e amenidades urbanas;
  3. um novo plano de obras;
  4. um novo plano de interação do Campus Pampulha com o seu entorno urbano (Branco, 2012, p. 18-19).

O modelo de localização do Campus Pampulha é declarado como o da descentralização urbana, semelhante ao da organização territorial anglo-saxônica, na qual a ideia de campus tem origem (BRANCO, 2012). A concepção pedagógica subjacente à ideia de campus baseia-se no princípio da autossuficiência e do isolamento em relação à cidade. Coerente com esse princípio, o campus contém não só a estrutura para o ensino e a pesquisa, mas ainda as instalações para as atividades culturais e esportivas complementares, instalações administrativas e ainda os estabelecimentos comerciais necessários para assegurar a subsistência da comunidade universitária. A ideia básica é uma estrutura segregada, estritamente instrumental e compartimentada. O problema da flexibilidade e da capacidade de crescimento se resolve através de uma proliferação caótica de edifícios que exclui a possibilidade e qualquer reordenação orgânica e sistemática (BRANCO, 2012, p. 62-64).

O pensamento que originou o planejamento desse espaço é, atualmente, relativizado, uma vez que a sociedade demanda maior tolerância ideológica e a integração mais eficiente com a academia, como expressa o surgimento de termos como universidade aberta, ciência sem fronteiras, dentre outros. Além disso, muitas universidades têm mudado o seu interesse, da pesquisa fundamental para a tecnologia e a pesquisa aplicada.

O campus isolado, com edifícios isolados, jardins ornamentais, gerando pessoas e ideias isoladas, em nada se identifica com a Universidade hoje. Percebe-se a necessidade de conferir ao território universitário uma qualidade de vida urbana, em que as interações, as associações e as pessoas façam o cotidiano rico em crítica e criatividade. Assim, considerando-se que o espaço urbano encontra-se em constante transformação, sujeito às demandas da sociedade, entendeu-se que as atuais transformações físico territoriais do Campus UFMG Pampulha trariam grande subsídio à análise proposta nesta pesquisa, por meio do registro de incidentes ambientais críticos por parte dos próprios usuários.

O software adaptado solicita que o usuário tire uma foto ou faça um vídeo testemunhando um incidente ambiental do lugar onde está, e o envie, através da internet, ao computador servidor. O usuário poderá escrever um título para identificar a ocorrência, fazer uma breve descrição, e será obrigado a escolher um indicador do conflito ambiental observado. Caso não tenha conexão com internet, pode simplesmente tirar a foto ou fazer o vídeo com seu dispositivo, para posteriormente, utilizando um computador desktop, fazer upload desses registros para o computador servidor, georeferenciando-os à mão.

A equipe considerou uma finalidade educativa na escolha das categorias dos incidentes ambientais, ou seja, a obrigação de escolher indicadores dos incidentes observados pelo usuário hipoteticamente o levaria à compreensão mais precisa dos conflitos ambientais que estivesse registrando. Como um contraexemplo, estudamos um aplicativo desenvolvido por uma prefeitura de uma grande capital brasileira onde o usuário poderia informar sobre incidentes urbanos como queda de árvores, postes defeituosos, vazamento em bueiros, veículos estacionados irregularmente, dentre outros. Estas categorias referem-se a problemas de manutenção, e não permitem que o usuário note problemas mais amplos ligados à acessibilidade, habitabilidade, riscos potenciais e falta de desenho universal. No aplicativo daquela prefeitura, a posição geográfica dos itens defeituosos era registrada sob um mapa escalável e todos os usuários visualizavam os incidentes registrados. Esses incidentes se diferenciavam entre verde e vermelho sobre o mapa, significando o verde para os incidentes já atendidos pela prefeitura e o vermelho para os que ainda aguardavam solução. Nos últimos meses de 2014, entretanto, a visualização de todos incidentes passou a ser acessível somente pela prefeitura e o usuário passou a ter acesso apenas àqueles incidentes que ele próprio reportou.

Após discutirmos essa situação, ficou claro que o nosso aplicativo não se ligaria a nenhuma instituição oficial, e permitiria a visualização de todos os incidentes registrados. Igualmente, os relatos de incidentes permitiriam comentários de outros usuários, e a equipe de pesquisa poderia invalidar relatos não verdadeiros ou não confirmados. Dessa forma, o aplicativo permitia a formação de uma rede social inicialmente voltada para as preocupações ambientais.

Para teste dessas novas hipóteses, os aplicativos foram utilizados por estudantes de arquitetura. As inferências de que os relatos contribuiriam para um processo educativo foram foco de uma dissertação de metrado concluída em 2015, que buscou indícios de melhoria das capacidades projetuais dos estudantes através da interpretação dos relatos feitos pelo aplicativo.

Abaixo, resumimos as categorias e indicadores dos incidentes ambientais que se podem relatar através do software. Os textos explicativos aparecem em forma de “Tooltipâ€? na versão desktop do aplicativo, quando o cursor tange o símbolo que o resume. Foi essa forma a mais simples que encontramos para substituir um extenso manual que complicava o uso intuitivo do web-aplicativo.

Acessibilidade

Os princípios da acessibilidade, de maneira geral, são fundamentados nos conceitos estabelecidos pelo Design Universal, porem são abordados de forma mais direta no que tange a aplicação de regras e procedimentos normativos que regem a atuação dos planejadores e arquitetos. Apesar dos consideráveis avanços neste sentido, os espaços públicos ainda possuem poucos locais onde tais princípios são respeitados. Para definição das categorias de acessibilidade foi utilizado como referência o “Guia de Acessibilidade Urbanaâ€?[8] publicado em 2006 pelo CREA-MG e adotado como referência instrutiva pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

Categoria principal:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.604\acessibilidade.png Acessibilidade: Falta de acesso universal.

Indicadores:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.192\acesso universall.png Acesso Universal: Todos os destinos servidos pelo sistema de via pública devem ser acessíveis pelos pedestres e condutores de todos os veículos (incluindo bicicletas), exceto quando a operação do veículo possa ser restringida por razões de excesso de peso, ruído, tamanho ou potencial de danos à propriedade ou pessoa dos outros.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.024\igualdade do direito de uso.png Igualdade do Direito de uso: O direito das pessoas de usar a parte de uma rua projetada para viajar não é diminuído pelo menor peso, menor tamanho, ou menos velocidade média associada com o seu modo de locomoção. O tráfego de veículos rápidos, pesados e maiores não devem ameaçar os outros modos de locomoção. Sinalizações de trânsito sob demanda devem detectar e atender uma diversidade de usuários, incluindo ciclistas e pedestres nas suas respectivas faixas.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.476\falta de integração.png Falta de Integração: A locomoção por meios diferentes não deve ser segregada por lei ou projeto de instalações sem convincente evidência objetiva, cientificamente válida em termos de vantagens operacionais.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.031\sinalização inadequada.png Sinalização Inadequada: Falta de uniformidade e simplicidade na sinalização.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.884\superfiÌ?cies inacessiÌ?veis.png Superfícies inacessíveis: As vias devem acomodar tanto os movimentos a pé, com o mínimo de riscos para dispositivos auxiliares comuns, tais como cadeiras de rodas.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.629\vias instransponiÌ?veis.png Vias intransponíveis: Refúgios devem ser fornecidos no cruzamento de distâncias sem sinalização, Os refúgios devem ser grande o suficiente para armazenar dispositivos auxiliares como cadeiras de rodas e carrinhos de bebê.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.469\manobra.png Manobra: Espaços adequados para manobras devem ser incorporados para todos os operadores de veículos e pedestres, incluindo cadeirantes.

Habitabilidade

As dimensões da habitabilidade (Souza, 1998) são sumarizadas abaixo:

A primeira dimensão é a interioridade, a noção de interior e exterior, dentro e fora. Esta dimensão está relacionada ao estabelecimento de fronteiras que diferenciam e qualificam o espaço. A diferenciação entre interior e exterior se dá pela escolha, definição, demarcação e construção de limites. A interioridade transforma o espaço em lugar para atividades humanas. Ao criar lugares, o homem está diferenciando e qualificando espaços para desenvolver suas atividades e dessa forma, todos os ambientes são submetidos à esse processo de demarcação de território interior e seu complementar, o exterior. Esse processo de demarcação também significa o estabelecimento da distinção entre o que é privado e o que é público, sendo o domínio do interior, o lugar protegido, oculto, seguro, e sendo o exterior, o lugar desprotegido, exposto, inseguro. A dimensão fenomenológica de estabelecimento da interioridade e da exterioridade compreende mais diretamente o fenômeno de territorialidade, relacionando-se também com os fenômenos de identidade e privacidade de forma indireta como será visto.

A segunda dimensão da habitabilidade é a visibilidade. O estabelecimento de um interior, simultaneamente cria um exterior dentro do qual o interior se localiza. À esse exterior a interioridade se abre, mostra-se mais, ou menos, indicando que a visibilidade é o controle da sua exposição. As pessoas, seus objetos e suas atividades, enfim, sua vida diária, necessitam se expor, ou não, à visibilidade, conforme o estabelecimento social assim o determine. O ocultamento corresponde à falta de visibilidade do interior e significa a intimidade. Os fenômenos existenciais relacionados à essa dimensão são a privacidade, no que a visibilidade oculta, e a identidade, no que é tornado visível, naquilo que se mostra e como é mostrado.

A terceira dimensão da habitação é a apropriação. Tornar um lugar próprio e dele tomar posse é um mecanismo de ligação do sujeito com o mundo, que se constitui em ordenar as coisas no espaço para estabelecer as atividades quotidianas. A apropriação supõe a criação e o cuidado com os lugares, significando esse cuidado o cultivo e a preservação de suas características, seu passado, seu presente e suas antecipações como futuro. Segundo Fischer (1989) a apropriação compreende as formas de interação entre indivíduos e ambientes que expressam a afirmação do ser sobre os lugares, através de uma utilização particular do espaço. A apropriação está relacionada ao fenômeno da ambiência que é a necessidade de se estar confortável em termos da adequação da posição dos elementos constituintes do espaço, da temperatura, da ventilação e da luminosidade, dentre outros fatores.

Os fenômenos revelados na habitabilidade são, portanto, a territorialidade, a privacidade, a identidade e a ambiência e são assim sumarizados no software, com seus respectivos ícones:

Categoria principal:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.266\habitabilidade.png Habitabilidade: Incidentes que comprometem elementos físicos que ancoram as qualificam dos lugares, de modo subjetivo e coletivo.

Indicadores:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.014\territorialidade.png Territorialidade: Invasão, inadequação de comportamento territorial, intrusão de grupos sobre espaços coletivos, ameaças coletivas nos lugares.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.372\privacidade.png Privacidade: Relações interpessoais em conflito (ruído, som, visibilidade). Atividades conflitantes ocorrendo no mesmo espaço.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.048\identidade.png Identidade: Perda de identidade local, memória, patrimônio, história, perda de características tradicionais.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.874\ambiencia.png Ambiência: Desconforto, falta de manutenção, sujeira, mal estado de conservação, falta de manutenção.

Riscos

O risco é o potencial de perda de algo de valor contra o potencial de ganho de algo de valor. Valores como a saúde física, status social, bem-estar emocional ou riqueza financeira podem ser ganhos ou perdidos quando se toma um risco resultante de uma determinada ação, atividade e/ou omissão, previstos ou imprevistos. O risco também pode ser definido como a interação intencional com a incerteza. Neste contexto a percepção do risco se dá pelo julgamento subjetivo que as pessoas fazem sobre a gravidade de uma situação arriscada, e pode variar de pessoa para pessoa. Qualquer atividade humana acarreta alguns riscos, mas alguns são muito mais prováveis de ocorrer do que outros.

Segundo a ISO 31000[9] (2009) / ISO Guia 73[10] risco é o “efeito da incerteza nos objetivos“. Incertezas incluem eventos (que podem ou não acontecer) e os problemas causados pela ambiguidade ou falta de informação. Inclui também os impactos positivos e negativos sobre os objetivos.

Categoria principal:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.582\riscos.png Riscos: Classificação de Riscos

Indicadores:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.615\riscos fiÌ?sicos.png Riscos Físicos: Espaços e elementos danificados, insegurança, falta de vigilância.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.512\riscos quiÌ?micos.png Riscos Químicos: Fogo, vazamentos, contaminações, radiação, envenenamento, poluição química.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.347\risco biologico.png Riscos Biológicos: Lixo, contaminações, infestações por insetos e animais, envenenamento, infestações, presença de material contaminado.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.008\riscos organizacionais.png Riscos Organizacionais: Stress, nível de ruído, sobrecarga de trabalho, falta de segurança para exercício de atividade.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.635\risco ergonomico.png Riscos Ergonômicos: LER, fluxo excessivo de trabalho, mobiliário deficiente, layout inapropriado, atividades perigosas.

Design Universal

Desde a década de 1950, nos países desenvolvidos, discute-se que o processo de concepção do projeto urbano, arquitetônico e de design deva considerar a diversidade de usuários, quanto ao seu gênero, dimensões físicas, idade, cultura, destreza, força e outras características (CAMBIAGHI, 2007). Essa atitude é oposta à que acontecia até então, que excluía setores sociais inteiros para adequar o consumo de bens a padrões rentáveis. Contrariamente a isso, iniciou-se naqueles países uma preocupação com a redução de barreiras para pessoas com algum tipo de deficiência, e as discussões voltaram-se para o desenho de equipamentos, edifícios e áreas urbanas adequados: um desenho que fosse inclusivo, ou seja, o Desenho Universal. Essa expressão, “Universal Designâ€?, foi cunhada pelo Arquiteto Ron Mace, significando “o desenho de produtos e ambientes usáveis por toda população, na sua maioria possível e sem necessidades de adaptação ou especializações.â€? (Mace, 2012)[11]

Para a definição das categorias de mapeamento relacionadas ao Desenho Universal foram utilizados os sete princípios do Design Universal apresentados na publicação “Desenho Universal Habitação de Interesse Socialâ€? (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2010)â€?.

A seguir apresentam-se a categoria geral e suas subcategorias.

Categoria principal:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.143\desenho universal.png Desenho Universal: Ambientes e produtos que possam ser usado por todas as pessoas, na sua máxima extensão possível.

Indicadores:

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.618\falta de uso equitativo.png Falta de uso equitativo: Espaços, objetos e produtos que não podem ser utilizados por usuários com capacidades diferentes; segregação ou estigmatização de qualquer usuário pela operação de uso; falta de privacidade, segurança e proteção; equipamentos pouco interessantes e atraentes.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.490\falta de flexibilidade do uso.png Falta de flexibilidade do uso: Ambientes ou sistemas construtivos que não atendem às necessidades de usuários com diferentes habilidades e preferências, não admitindo adequações e transformações; não possibilitando adaptabilidade às necessidades pela alteração das dimensões de objetos e ambientes.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.252\uso complicado e pouco intuitivo.png Uso complicado e pouco intuitivo: Difícil compreensão e apreensão do espaço, complexidades desnecessárias e falta de coerência com as expectativas e a intuição do usuário; falta de informações segundo a ordem de importância.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.878\informacao sobre o uso de difiÌ?cil percepção.png Informação sobre o uso de difícil percepção: Falta de diferentes meios de comunicação, como símbolos, informações sonoras, táteis, entre outras, para compreensão de usuários com dificuldade de audição, visão, cognição ou estrangeiros; ausência de formas e objetos de comunicação com contraste adequado; falta de clareza com as informações essenciais; Dificuldade do uso do espaço ou equipamento.

C:\Users\St̩phanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.824\intolerancia ao erro.png Intoler̢ncia ao erro (inseguran̤a): Falta seguran̤a na concep̤̣o de ambientes e na escolha de materiais de acabamento e demais produtos Рcomo corriṃos, equipamentos eletromec̢nicos, entre outros.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.576\esforco fisico nao minimizado.png Esforço físico não minimizado: Mau dimensionamento de elementos e equipamentos para que seja utilizada eficiente, segura e confortavelmente com o mínimo de fadiga; ações repetitivas e esforços físicos que não podem ser evitados.

C:\Users\Stéphanie\AppData\Local\Temp\Rar$DIa0.253\Dimensionamento de acesso e uso pouco abrangente.png Dimensionamento de espaços para acesso e uso pouco abrangente: Falta de acesso e uso confortáveis para os usuários, tanto sentados quanto em pé; falta de alcance visual dos ambientes e produtos a todos os usuários, sentados ou em pé; falta de variações ergonômicas, não oferecendo condições de manuseio e contato para usuários com as mais variadas dificuldades de manipulação, toque e pegada; impossibilidade de utilização dos espaços por usuários com próteses, como cadeira de rodas, muletas, dentre outras, de acordo com suas necessidades.

 

Uso do Aplicativo

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Descrevem-se a seguir o aplicativo desenvolvido e as coletas de dados (relatos dos usuários).

Interfaces para computadores desktops

No endereço http://pq.arq.ufmg.br/ufmg/ a tela da figura anterior pode ser acessada por computadores desktops conectados à internet. Operando com o toque do mouse, o usuário pode ver detalhes de todos os relatos já feitos, bem como comentar sobre eles. Clicando sobre o pino vermelho, verá a quantidade de relatos naquela georreferência. Assim, poderá também visualizar as fotos que foram feitas para documentar o incidente.

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Fonte: elaborado pelo autor

Os pinos vermelhos indicam o conjunto de relatos, sem discriminar suas categorias. Clicando sobre “more Informationâ€?, os detalhes do relato aparecerão. Entretanto, o usuário pode querer, por exemplo, verificar sobre o mapa onde os demais usuários perceberam que o desenho urbano afastou-se dos princípios do Desenho Universal. Bastará clicar na coluna direita, e os indicadores se abrirão. A figura seguinte exemplifica a “intolerância ao erroâ€?, quando o usuário clica sobre o indicador específico da categoria “Desenho Universalâ€?.

Image_2 Image_12

Fonte: desenvolvido pelo autor

Figura : Lago e escadas em frente ao hall da Reitoria

https://pq.arq.ufmg.br/ufmg/media/uploads/1106_1_1409525431.jpg https://pq.arq.ufmg.br/ufmg/media/uploads/588_1_1408569016.jpg
Fonte: Fotos dos usuários

Como mostrado na figura anterior, a ausência de guarda-corpos para o espelho d`água e para a escada do mezanino foram observados como “intolerantes ao erroâ€?.

O usuário poderá também fazer relatos clicando sobre “Enviar relatosâ€?. Ao escolher essa opção, uma nova tela se abre, permitindo que o usuário preencha o título, as características e defina o local onde registrou o incidente, arrastando o ícone vermelho ou escrevendo um endereço das proximidades, que será conferido pelo serviço GoogleMaps. Automaticamente o horário em que o relato foi feito será registrado, bem como sua posição na linha de tempo, abaixo do mapa escalável. O asterisco vermelho ao lado das categorias indica que o relator deve avaliar qual indicador corresponde ao incidente ambiental relatado.

O usuário, na interface de desktop, poderá relatar áreas e trajetos que desenhará diretamente no mapa, explicando de que incidente se trata. É o caso de infestações de animais ou insetos ou vazamentos de gases ou fluidos.

Se por ventura o usuário tiver conhecimento de alguma notícia ou vídeo veiculados na internet, poderá copiar seu URL e eles ficarão disponíveis aos demais usuários. Igualmente, poderá fazer o “uploadâ€? de suas fotos que testemunham o incidente relatado, no último botão, “enviar fotosâ€?. Por fim, ao clicar no botão verde “enviarâ€?, transmitirá ao computador servidor todas as informações.

Na interface de controle do aplicativo, cada relato poderá esperar um intervalo de tempo até que seja conferido por membro designado da equipe de pesquisa, evitando contratempos e falsos relatos.

Figura: Envio de relatos de incidentes por desktop

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Os usuários poderão ver e comentar os relatos já feitos, aprovando ou não sua validade e sua descrição. Aqueles usuários interessados em receber alertas sobre incidentes em alguma área poderão fazê-lo, e receberão emails com as descrições dos relatos. No nosso caso, o raio de um quilômetro foi deixado como área de alerta, o que cobre a área do Campus. Os usuários têm a opção de se inscrever ou permanecerem anônimos, e poderão enviar relatos a partir do aplicativo Tweeter utilizando a “hashtagâ€? #AAUFMG (Avaliação Ambiental UFMG).

 

Interfaces para dispositivos móveis

A tela principal do desktop oferece opções de links para dar “downloadâ€? do aplicativo ushahidi para dispositivos com o sistema iOS da Apple ou Android. Entretanto, as telas da interface para browsers, nesses dispositivos, foram testadas e mostraram-se bastante responsivas, isto é, permitem seu uso com certa facilidade.

A seguir mostram-se imagens da tela de um Iphone Apple e a sequência explicada para a instalação do adaptador Ushahidi e sua utilização para disposivos móveis:

Figura: Sequência para uso em dispositivos móveis

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Fonte: Elaborado pelo autor

Uma vez que o adaptador Ushahidi tenha sido “baixadoâ€? de um dos “Storesâ€? Apple ou Android a tela A mostra o preenchimento do campo com o endereço do aplicativo web: http://pq.arq.ufmg.br/ufmg/. A última barra deve ser incluída no endereço para que a conexão se estabeleça. Tão logo o sinal seja encontrado, inicia-se o processo de sincronização, que vai permitir visualizar as marcações de incidentes no mapa escalável (mostrado em B). Ao clicar sobre os pinos marcados (mostrado em C), um resumo do incidente é mostrado, podendo-se ter mais detalhes sobre ele, clicando-se em i (informação). Para efetuar um relato de incidente ambiental, basta clicar no ícone da câmera central na parte de baixo (mostrado em C) e a tela D se abrirá. Nela, o usuário pode declarar um título para o incidente, uma breve descrição, e necessariamente escolher entre as categorias que aparecem listadas quando se toca em “select a categoryâ€?. As categorias aparecem em “scrollâ€? como na tela E, e mais de uma pode ser escolhida, uma vez que um incidente ambiental pode ser analisado pelas quatro abordagens apresentadas. Com o uso do GPS do smartphone, a posição do incidente será automaticamente marcada. A seguir, o usuário pode tirar fotos ou fazer vídeos, remetendo-os ao final ao servidor.

Estatísticas para o Campus

Foram registrados 1099 indicadores de incidentes no período da pesquisa. Esse número continua aumentando, pois o site ainda está ativo. As quatro cores da figura seguinte indicam a categoria geral do incidente, sendo contabilizadas no interior de cada cor. De forma geral, os “riscosâ€? foram as categorias de incidentes mais observadas, igualmente às situações de problemas de “Acessibilidadeâ€?. Problemas com a falta de “Desenho Universalâ€? estão registrados na terceira posição, e os de “Habitabilidadeâ€? foram os que menos se registraram. Os impactos das categorias são registrados diariamente, mas não têm aqui nenhum sentido, devido ao modo como o experimento foi realizado.

Utilizou-se o aplicativo ArcMap[12] no estudo da distribuição dos eventos sobre o território. Essa visualização, mostrada no mapa abaixo, toma como pressuposto alguma continuidade espacial dos eventos como para permitir o cálculo da previsão de suas ocorrências futuras, de modo preditivo.

Image_7Figura 10: estatísticas dos relatos

 

Figura: Volume de registros por usuários do aplicativo, por período.

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Fonte: Elaborado pelo autor

Figura: estudo geo-estatístico da ocorrência dos incidentes (Mapa de Kernel) Image_10
Fonte: Elaborado pelo autor

Projetos de desenho urbano elaborados com o apoio do instrumental

Com a finalidade de testar o desempenho da ferramenta no processo ensino/aprendizagem, Quatro turmas de graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura da UFMG (duas durante o terceiro bimestre letivo de 2014 e duas no primeiro bimestre letivo de 2015), compostas por alunos inscritos na disciplina ofertada pelo Departamento de Projetos (PRJ) como opção de Projeto Flexível (PFlex[13]) sob o nome “Avaliação ambiental de espaços públicos na perspectiva contemporânea: design universal, acessibilidade, habitabilidade e riscosâ€?. A vantagem da modalidade PFlex para este estudo é a possibilidade de o professor criar uma proposta de tema e estruturar a disciplina de acordo com seus objetivos específicos, além de permitir aos estudantes escolher os temas que desejam frequentar, garantindo, em certa medida, um interesse prévio do discente pelo assunto a ser tratado.

Considerando todos os envolvidos, foram 52 estudantes matriculados, 49 dos quais concluíram a disciplina. As quatro turmas cursaram a disciplina de mesma ementa e os trabalhos foram desenvolvidos pelos estudantes individualmente, em duplas ou trios. Os dados mapeados, contudo, foram resultado do trabalho colaborativo dos estudantes inscritos nas quatro turmas.

Os estudos sobre a eficácia do ferramental para a melhoria do ensino/aprendizagem dos estudantes. a partir da análise dos trabalhos desenvolvidos na disciplina, foram incorporados como anexo ao formulário online Everest-FAPEMIG, na forma da dissertação de Fernando Pacheco Nascimento.

Figura: trabalho desenvolvido por estudantes com a ferramenta. Image_40
Fonte: Dissertação (Nascimento, 2015)

Figura: trabalho desenvolvido por estudantes com a ferramenta Image_9Fonte: Dissertação (Nascimento, 2015)

Conclusão

Essa pesquisa questionou as formas atuais de representação do espaço urbano das cidades e sua relação direta com os processos de informação e participação. Foi possível observar o aspecto frágil com o que as técnicas de mapeamento têm sido aplicadas atualmente, a despeito de um desenvolvimento tecnológico notável. Muitos dos mapeamentos propostos hoje em dia, seja para o registro, a gestão ou a simples mobilização ativista, incorrem numa supersimplificação das possibilidades oferecidas pela TI e da complexidade de sua aplicação. Isso se dá devido ao fato de que os conceitos fundamentais subjacentes, tais como a participação e o acesso aberto à informação não são devidamente discutidos no enquadramento teórico dos trabalhos a que dão suporte. O que pôde ser observado foi que algumas das ações de mapeamento coletivo, embora se apresentem como resistência ao conceito do urbanismo neoliberal, apresentam obstáculos que não permitem legitimar os registros como expressão da popular, seja pela dificuldade de acesso à tecnologia pela população, seja pelo grau de abstração requerido para operar com instrumental.

As conclusões apontam na direção de estudos que busquem proposições de novas formas de representação da cidade que consigam abarcar em si melhores meios de interatividade e participação reais dos cidadãos, de modo a facilitar o acesso às informações, fluxos e dados e, simultaneamente, apoiar a gestão transparente e democrática que se acredita indispensável na dinâmica contemporânea da vida nas grandes cidades.

Ao fim desta pesquisa observou-se a difusão dos mapeamentos por diversas administrações municipais como meio para identificação das solicitações dos cidadãos, comprovando seu potencial para este fim. Mas mesmo num cenário onde a população tem se habituado a participar ativamente das redes sociais, para manifestar suas opiniões e impressões, as onvestigações sistemáticas devem avançar na busca de ações facilitadoras da disponibilidade de recursos e da simplicidade de uso das ferramentas digitais disponíveis.

Finalmente, a síntese integrativa das dimensões informacionais e físicas do espaço da cidade – comentadas como problemáticas quando da adoção frequente de polarizações deterministas na discussão das relações entre tecnologia e sociedade – parece envidar esforços e pesquisas para repensar a participação, gestão e representação como fenômeno indissociável ao quotidiano das pessoas, através de instrumentos que não provoquem uma representação descontínua e de interesses alheios às ansiedades e necessidades das pessoas. O desafio para próximos trabalhos parece indicar tentativas de integrar habilidades sociais e utilização da tecnologia num conceito dentro do qual a ideia de desenvolvimento tecnológico e sociedade se moldam mutuamente.

Por fim, abriu-se a hipótese de que a utilização das tecnologias de informação, tais como a estudada na presente pesquisa, aplicada à gestão urbana e somada a estudos configuracionais (HILLIER, 1996; HILLIER; HANSON, 1984), seja capaz de refletir o dinamismo das situações urbanas mais críticas, possibilitando inclusive a predição de futuras transformações urbanas. Enfatiza-se que o uso dessas análises deve ser considerado mais como um procedimento inovador do que uma busca de conclusão sobre o estado ambiental dos setores da cidade, dado o dinamismo em que forma urbana e forma social recursivamente se moldam.

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  1. In Urban policies and the right to the city: rights, responsibilities and citizenship;
    MOST policy papers, new series MOST-2; 2009. ↑
  2. Segundo Bourdieu (1998, 2011), o neoliberalismo seria contrário a “todas as estruturas coletivas capazes de interpor obstáculo à lógica do mercado puro“, resultando daí a necessidade de destruir as forças políticas de representações sociais tais como sindicatos, associações, cooperativas. Em grau avançado, a destruição neoliberal mira na família combatida através da criação de mercados orientados a faixas etárias, destituindo assim sua interferência sobre o consumo. ↑
  3. Traduzido minha de “contextual computing begins from the physical geometryâ€?. ↑
  4. “Apple.” 13 Feb. 2016 <http://www.apple.com/> ↑
  5. “Apple Store on the App Store – iTunes.” 2012. 13 Feb. 2016 <https://itunes.apple.com/us/app/applestore/id375380948?mt=8> ↑
  6. “Apple Store on the App Store – iTunes.” 2012. 13 Feb. 2016 <https://itunes.apple.com/us/app/applestore/id375380948?mt=8> ↑
  7. “Apps para Android no Google Play.” 2012. 13 Feb. 2016 <https://play.google.com/store/apps?hl=pt> ↑
  8. “Cartilha de Acessibilidade do CREA/SC.” 2011. 13 Feb. 2016 <http://www.creasc.org.br/portal/arquivosSGC/File/cartilhaacessibilidadefinalweb.pdf> ↑
  9. “ISO 31000 – Risk management – ISO.” 2012. 13 Feb. 2016 <http://www.iso.org/iso/home/standards/iso31000.htm> ↑
  10. Esta definição foi desenvolvida por um comitê internacional que representa mais de 30 países e é baseada no estudo de diversos especialistas no assunto. ↑
  11. “The design of products and environments to be usable by all people, to the greatest extent possible, without the need for adaptation or specialized design.â€? (Mace, 2012) ↑
  12. “ArcMap | ArcGIS for Desktop.” 2016. 14 Feb. 2016 <http://desktop.arcgis.com/en/arcmap/> ↑
  13. Disciplinas de projeto de 60 horas aula, distribuídas em 15 dias (4 horas aula por dia), sendo dois dias por semana no prazo de dois meses. Podem matricular-se estudantes do terceiro ao nono período de acordo com sua afinidade com os temas propostos pelos professores. ↑