Neoliberalismo é o novo totalitarismo | Desacato

Por Paulo Moreira Leite.

Há mais de 40 anos compreendi que o contato com a obra e as ideias de Marilena Chauí é uma das recompensas mais gratificantes para quem procura refletir sobre os tumultos e impasses do mundo contemporâneo, em particular do Brasil.

Matriculado num curso de Marilena na Filosofia da Universidade de São Paulo, onde estudava Ciências Sociais, tive a chance de entrar em contato com um pensamento que passava a limpo nossa forma de ver o mundo e, como é obrigação moral, tentar modificá-lo. Naquele momento, Marilena Chauí preparava um de seus trabalhos fundamentais, a tese de livre-docência sobre Baruch Spinoza (1632-1677), pensador perseguido pela inquisição e banido de Portugal. Dava aulas inesquecíveis pela rapidez do pensamento, a clareza de sua lógica e a erudição sem empáfia.

Naquele início da década de 1970, a ditadura militar encontrava-se num de seus momentos especialmente brutais, o que se manifestava no sequestro e assassinato de trabalhadores e estudantes, na espionagem permanente do mundo acadêmico, na censura institucionalizada dos jornais. Sem vulgarizar as idéias em discussão, Marilena Chauí estava ali, sentada à mesa, cabeleira negríssima, sem medo de falar sobre liberdade e opressão, num chamado sempre lúcido e necessário à resistência.

Na sexta-feira passada, setembro de 2018, Marilena estava de novo sentada à mesa, como uma das palestrantes do “Seminário Internacional — Ameaças à Democracia e a Ordem Multilateral. ” (leia mais)

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