Pesquisa “Mobilidade Ativa nas Cidades”

Coordenação: Renato César Ferreira de Souza

Situação: em curso.

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Conceito de MA

A Mobilidade Urbana pode ser entendida como o conjunto de deslocamentos de pessoas e mercadorias, com base nos desejos e necessidades de acesso às oportunidades no espaço urbano, por meio da utilização dos diversos modos de transporte. Quando o modo não é outro senão a caminhada a pé, falo em Mobilidade Ativa (MA), o mesmo termo utilizado nas disciplinas de Cineantropometria e Desempenho Humano, da Educação Física. Traduzo mobilidade Ativa do termo inglês “Walkabilityâ€?. Atualmente estudam-se as vantagens da MA, que vão desde a economia de combustíveis, a diminuição da poluição por automóveis, a retomada de ações urbanísticas considerando o movimento natural das pessoas, a preservação do comércio local e o consequente enriquecimento das vizinhanças caminháveis e, principalmente, a saúde dos indivíduos, contribuindo para a diminuição de uma série de doenças causadas pela obesidade e sedentarismo.

Essa pesquisa vem sendo preparada  para ser proposta como um estudo da multiplicidade de fatores interferentes sobre o movimento a pé, nas cidades brasileiras. Tentarei transformá-la num núcleo continuado de estudos para apoio ao OSUBH e para outros grupos relacionados. Pretendo observar como tais fatores afetam a saúde dos indivíduos, suas condições econômico-sociais, verificando a subjetividade com que avaliam o seu território, dentre outros aspectos.

As figuras que se seguem são resultados de testes que irão passar por um delineamento mais conciso do que os dos instrumentos geoestatísticos. Dados primários serão coletados e sobrepostos ao mapa de indicadores obtido ( e ), estudando prováveis correlações, em diversos setores urbanos de BH e em outras cidades. Foi utilizado até agora uma tradução e adaptação transcultural da versão em português do questionário Neighborhood Environment Walkability Scale for Youth (NEWS-Y)[1], para criar um questionário com amostras aleatórias sobre os bairros da cidade e os primeiros testes de sobreposição tem sido visualizados num piloto mostrado abaixo.

Figura: Sobreposição do mapa de indicadores de MA para BH e respostas à pergunta: O seu bairro é bom de se viver? Unidade agregadora em setores censitários do censo de 2010. O �ndice valoriza em 10 a existência de MA ótima.

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Fonte: o autor

 

Figura : Camadas componentes do Ã?ndice de Mobilidade Ativa para BH

camadas para o cálculo com legendas copy.jpg

Fonte: o autor

Pretende-se alcançar uma metodologia para a analise do recinto urbano  que possa auxiliar na aplicação da técnica de Observações Sociais Sistemáticas (OSS) desenvolvida pelo OSUBH, e por sua vez, apoiar a elaboração de diretrizes que visem auxiliar a melhoria e o redesenho urbano.

Dessa forma, prospecções geradas por visualizadores de dados GIS serão propostas na solução dos problemas identificados, como é mostrado no experimento da , onde um trecho de via no bairro Padre Eustáquio foi redesenhado, com soluções para atenuação de barreiras, alargamento dos passeios, controle da dominância dos veículos e aumento da mobilidade ativa em áreas congestionadas.

Figura : Análise de elementos hipoteticamente interferentes de modo negativo na Mobilidade Ativa

Os elementos abaixo diminuem a mobilidade ativa do conjunto urbano representado:

  1. Avenidas muito largas;
  2. Quarteirões muito compridos;
  3. Ruas sem saída;
  4. Cruzamentos em T;
  5. Dominância de veículos.

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Fonte: o autor

Figura : Proposições para melhorias da mobilidade ativa em região com passeios estreitos, Rua Padre Eustáquio – BH.

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Fonte: o autor

  1. LIMA, A. V.; RECH, C. R.; REIS, R. S. Equivalência semântica, de itens e conceitual, da versão brasileira do Neighborhood Environment Walkability Scale for Youth (NEWS-Y), Cadernos de Saúde Pública, v. 29, n. 12, p. 2547–2553, 2013. ↑