Desenho Universal: educação ambiental e melhoria do espaço urbano

Essa pesquisa, financiada pela FAPEMIG, criou e testou um web-aplicativo para uso em dispositivos móveis (fones e pads) em todas as plataformas, de modo a permitir a monitoração, por parte dos usuários, de aspectos deficientes em relação ao design universal para o espaço urbano da cidade universitária UFMG. O web-aplicativo permitiu o registro de problemas concernentes à avaliação da acessibilidade, da habitabilidade, dos riscos e do desenho universal (Figura 53).

O Pitch produzido sobre os resultados da pesquisa para a FAPEMIG está em HTTPS://www.youtube.com/watch?v=-u4OpmUAmzo

EDITAL FAPEMIG 01/2013

Título do projeto:

“Uso da Computação móvel como Instrumental para o Desenho Universal: Educação, Avaliação e Melhoria do Espaço Urbano.â€?

Proponente Coordenador: Prof. Dr. Renato Cesar Ferreira de Souza

Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

Rua Paraíba 697, Funcionários, Belo Horizonte, Minas Gerais – CEP 30130-140

1.     Objetivos

1.1.          Objetivos Gerais

Criar um aplicativo para computação móvel, acessível à todas as plataformas de smartphones e tablets, de distribuição gratuita, e criar o mesmo conteúdo do aplicativo para um site dinâmico na internet. O aplicativo e o site deverão  permitir:

1.1.1.         O acesso visual a uma cartilha de Desenho Universal com textos, ilustrações e fotos de exemplos, visando a aprendizagem básica sobre esse assunto por usuários leigos do setor urbano a ser estudado – no caso, o Campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A cartilha deverá abordar a adequação ou inadequação de elementos espaciais genéricos, permitindo aos usuários reconhecer no seu ambiente as situações retratadas;

1.1.2.        O registro dos conflitos e problemas interferentes sobre acessibilidade universal em um mapa georeferenciado do Campus Pampulha da UFMG. Esse registro será feito pelos próprios usuários, quando se depararem com situações ambientais críticas. A coleção desses registros será visível, através de um mapa dinâmico nos dispositvos de computação móvel e no site da web. Permitirá também a inclusão de comentários, fotos e discussões no site da pesquisa e na rede social a se determinar, em página apropriada. Esses registros serão moderados por equipe designada.

1.1.3.        A criação de uma equipe local, de usuários e pesquisadores usuários do Campus, que fará a sua inspeção ambiental continuada, registrando lugares, caminhos, áreas e outros elementos espaciais que constituam problemas para a acessibilidade. Essa equipe também irá moderar os comentários de usuários anotados no site e na rede social, inspecionando a veracidade dos registros feitos;

1.1.4.         A criação de um mapa dinâmico do Campus a ser exibido em displays de grande visibilidade estrategicamente localizados e capazes de indicar a aparição ou a desaparição dos conflitos quando estes forem sanados pelas administrações e pró-reitorias. Esse mapa será também visível desde um site na internet. O provimento dos displays e despesas para instalação ficarão a cargo universidade;

1.1.5.         A elaboração de um relatório final, contendo um estudo de caso sobre o experimento aqui descrito, apresentando a análise do instrumental criado e as conclusões sobre sua eficácia. Em caso de concluir-se vantagens na aplicação desse instrumental par apoio à gestão dos espaços públicos com o Desenho Universal, será também estudada a possibilidade da generalização do aplicativo[1] (nos termos  de Caldieira e Stiff (1991, 2012)) para sua utilização em outros setores urbanos da cidade.

1.2.          Objetivos específicos

Pretende-se que todos os objetivos expostos anteriormente auxiliem as tomadas de decisões e a busca de soluções projetuais baseadas no Desenho Universal para Campus Pampulha UFMG. Simultaneamente, são esperadas quatro funcionalidades do aplicativo e do site:

1.2.1.         Aprendizado: o aplicativo deverá permitir a todos usuários que manipulem as suas e que se tornem familiares com os conceitos do Desenho Universal, compreendendo-o como parte integrante de seu quotidiano e permitindo-os reconhecer situações físicas e sociais positivas e inclusivas. Isso será feito através da cartilha (ver página 7) a que o usuário poderá acessar com rapidez;

1.2.2.        Orientação segura: o aplicativo e o site deverão permitir a todos usuários a consulta de sua localização no Campus e a consulta georeferenciada das condições de acessibilidade dentro do Campus. Essas consultas serão dinamicamente indicadas em um mapa, permitindo que o usuário decida como se orientar no território, evitando espaços e caminhos inacessíveis. Por exemplo, serão marcados os caminhos de acesso pleno, itinerários com barreiras ou declividades exageradas, ou elementos urbanos como calçadas e rampas sem segurança, em mal estado ou faltantes de elementos espaciais. Esses registros sobre o mapa serão mantidos no período de tempo em que os problemas representados perdurarem. Serão removidos quando forem sanados. Essas marcações gráficas e demais informações sobre a orientação individual permitirão aos usuários planejarem sua mobilidade de modo mais seguro, objetivo e menos dispendioso, dentro do Campus. Igualmente, esse sistema de informação permitirá a manutenção e conservação do Campus de forma planejada ao longo das disponibilidades financeiras e econômicas, auxiliando a priorização daquelas soluções mais urgentes.

1.2.3.        Cadastro dinâmico: para a equipe designada de usuários voluntários e pesquisadores colaboradores, devidamente cadastrados e conhecedores dos princípios do desenho universal, o aplicativo será utilizado para a anotação, o comentário crítico das condições de acesso do setor urbano escolhido e a moderação das discussões de todos os demais usuários que quiserem participar. Essa equipe designada documentará com fotografias e textos as condições de espaço inacessíveis e excludentes. Essas informações serão disponibilizadas a todos os usuários via internet e serão modificadas dinamicamente ao longo do tempo pelos usuários cadastrados, ou seja, serão removidas ou enfatizadas conforme se alterem para melhor ou para pior.

1.2.4.        Criação de Rede Social: o registro dos problemas ambientais que afetam a acessibilidade e o Desenho Universal poderão ser compartilhados na rede social a ser criada. Essa socialização é hipoteticamente um meio de incluir as preocupações associadas à gestão do Campus às atividades sociais mais corriqueiras das pessoas, entrelaçando o assunto pesquisado à expressão social da comunidade. Tal como o “social-commerceâ€? derivou do “e-commerceâ€? com a força das indicações sociais (EcommerceOrg 2012), temos a hipótese de que a formação de uma rede social poderá ancorar a atividade de aprendizagem sobre o Desenho Universal com indicações dos membros dessa rede, estimulando a sua participação e promovendo a educação ambiental.

2.     Justificativa

Justificam-se a seguir os objetivos gerais e sua especificidade.

2.1.          Justificativa para o aprendizado com o uso da cartilha sobre Desenho Universal

A proposta de criar um aplicativo e site que simultaneamente registrem, exibam os resgistros e eduquem os usuários é justificada por fortes razões:

2.1.1.        Oportunidade de Conhecimento do Desenho Universal e Inclusão Social

Desde a década de 1950, nos países desenvolvidos, discute-se que o processo de concepção do projeto urbano, arquitetônico e de design deva considerar a  diversidade de usuários, quanto ao seu gênero, dimensões físicas, idade, cultura, destreza, força e outras características (Cambiaghi 2007). Essa atitude é oposta à que acontecia até então, que excluia setores sociais inteiros para adequar o consumo de bens a padrões rentáveis. Contrariamente a isso, iniciou-se naqueles países uma preocupação com a redução de barreiras para pessoas com algum tipo de deficiência, e as discussões voltaram-se para o desenho de equipamentos, edifícios e áreas urbanas adequados: um desenho que fosse inclusivo, ou seja, o Desenho Universal. Essa expressão, “Universal Designâ€?, foi cunhada pelo Arquiteto Ron Mace, significando “o desenho de produtos e ambientes usáveis por toda população, na sua maioria possível e sem necessidades de adaptação ou especializações.â€?(Mace 2012)[2]

Na evolução daqueles pensamentos, como expressão da consolidação dos pressupostos dos Direitos Humanos, percebeu-se que o espaço da cidade deveria ser destinado a qualquer pessoa, tornando possível a realização de ações essenciais praticadas na vida cotidiana. Por esse ponto de vista, os profissionais envolvidos com o Design deveriam estar capacitados, então, para executar projetos afinados com os conceitos do Desenho Universal. Cambiaghi (2007) aponta que a multiplicação de cursos superiores não garantiu, entretanto, que as disciplinas necessárias à difusão do Desenho Universal fossem incluídas satisfatoriamente na formação dos profissionais arquitetos, desenhistas de interiores, engenheiros de produção, dentre outros. O fato também correspondeu a uma ignorância da sociedade quanto aos seus direitos à acessibilidade plena e ao conhecimento de suas fomas, muito embora já estivessem sendo publicadas novas normas para reger as distorções da inacessibilidade.

Dessa maneira, justificamos que seja apropriado trazer para os usuários da área escolhida uma adaptação da cartilha elaborada pelo prof. Marcelo Pinto Guimarães (Guimarães 2012) sobre o Desenho Universal. Nessa cartilha encontram-se exemplos de elementos espaciais que comprometem a acessibilidade universal bem como opções para sua solução. Adaptado-a para um acesso rápido e interativo, através dos dispositivos móveis de computação e do site na internet, pretendemos divulgar os princípios do Desenho Universal, consequentemente diminuindo a ignorância a respeito dele através da socialização da informação.

2.1.2.        Difusão do conhecimento e educação comum do cidadão

Pelo que se comentou acima, grande parte da sociedade não compreende que a questão do desenho universal ultrapassa uma visão utilitária tornando-se uma questão moral. Essa incompreensão reflete muma naturalidade com que leigos e administradores exergam e cometem erros de desenho urbano, sem perceberem que essa atitude desrespeita um setor da sociedade.

Jeff Raskin (2004), engenheiros de HCI[3] da Apple Corporation comenta que “Design é um problema moralâ€?[4].  Nesse sentido, Amanda Kraus reforça que “Um modo crítico de operacionalizarmos valores como acesso para todos, equidade e respeito é através do Desenho Universalâ€? [5] (Kraus 2012).

É nesse meio social que as definições de incapacidade física são definidas com a produção de objetos e espaços onde as pessoas incapazes deverão conviver com as “capazesâ€?. Scott Pruett (2013) atualiza também que  o desenho universal é uma questão moral, quando se preocupa com a inclusividade social. Também a esse repeito, Marcelo Guimarães apontou que:

“Deficiência não é característica de grupos da população. Está presente no estresse excessivo que atinge a todos, gera acidentes e afasta as pessoas umas das outras e da relação consigo mesmas. Por isso, a acessibilidade ambiental não pode ser exclusiva, e desse modo, excludente. Pensando a partir de direitos e deveres de cada cidadão, e vice-versa, a acessibilidade de quem anda não pode ser melhor do que a de quem roda, a de quem enxerga não pode ser maior do que a de quem tateia, a de quem pensa, que raciocina, não pode ser igual a de quem sente, estuda e vivencia.(Guimarães 2000).

Percebe-se hoje as vantagens da integração desses grupos excluídos pela ausência do desenho universal. Garantindo aos indivíduos um ciclo de vida sem exclusões, a acessibilidade plena poderá recolocá-los em papéis sociais de importância, desde gestores de seus semelhantes nas comunidades, escolas e universidades, até a ocupação de outras funções quotidianas de importância. Entretanto, ainda estamos longe desse sucesso no Brasil. Nossos motoristas, por exemplo, ainda não respeitam calçadas e pedestres. A nossa municipalidade tem dificuldades em executar e inspecionar a adequação dos elementos de acessibilidade nas vias públicas. A educação e civilidade dos cidadãos de nossas cidades falta em muitas circunstâncias na vivência da cena urbana, demonstrando o preconceito, a exclusão e a violência.

Por estas razões, justificamos que o aplicativo a ser criado apresente desenhos, esquemas, fotos e textos que elucidem a aplicação do desenho universal, divulgando para profissionais e leigos as suas diversas formas, através de um processo educativo onde, interativamente, os usuários do aplicativo a ser criado possam formular questões e discutir tópicos específicos com profissionais conhecedores do Desenho Universal. Secundariamente, essa ação teria como objetivo trazer para a linguagem coloquial os aspectos mais importantes sobre o Desenho Universal aplicado ao dia-a-dia.

2.2.          Justificativa para a Locomoção e Orientação segura

Os primeiros estudos sobre a locomoção econômica iniciaram-se com a preocupação no aprendizado da orientação de ratos em labirintos (Tolman 1930, Hull 1943, Tolman 1948). Após isso, derivaram nos estudos de “mapas cognitivosâ€? elaborados por seres humanos, na tentativa de compreender a orientação de mulheres e homens americanos em seus anódinos distritos industriais (Hull 1943). Nos últimos 40 anos, pesquisadores de diversas disciplinas – incluindo a psicologia, a geografia, a antropologia, a ciência cognitiva e a ciência da computação, juntaram-se ao desenho urbano para compreender o valor da boa orientação e da localização segura (Kitchin 2002).

Apesar de não ser o autor mais completo nesse sentido, no Brasil Kevin Lynch (1960) se  polpularizou mais que os outros geógrafos. Ele pretendia que compreedêssemos claramente a importância da localização e da locomoção segura através do meio ambiente: a orientação otimizada traz, segundo aquele autor, benefícios individuais e coletivos. Individualmente, evita a desagradável sensação de se estar perdido, contribuindo para o equilíbrio mental e a identidade individual. Coletivamente, economiza distâncias (energia), indo de pontos a pontos por rotas menores, mais rápidas e seguras.

Kitchin (2002, pág 123) chega a mencionar teorias que explicam o possível déficit nos mapas mentais de pessoas com problemas visuais. Ele cita Fletcher que reafirma o que Von Senden (1932) mencionara outrora na chamada “teoria da deficiênciaâ€?: pessoas cegas não conseguem elaborar mapas mentais pois seus outros sentidos não conseguem promover uma impressão geral a partir da junção de porções fragmentadas de sua experiência.

A teoria da ineficiência (Rieser 1980) propõe que a cegueira pode delimitar a precisão dos elementos que compõem uma mapa mental, comparando esse processo com o de outras pessoas com visão, mas essa teroria prevê erros na apreensão do ambiente quando se trata de apreender direções longas e sutilmente curvas, por exemplo.

Finalmente, uma terceira abordagem entende que os cegos são incapazes de aprender visualmente elementos que se prestam a indicar direções no território (Juurmaa 1994), devendo dispender maior tempo para aprendê-los.

Estas três teorias, entretanto, são refutáveis, considerando que os níveis de deficiência visual podem não ser iguais para todo um grupo estudado. Igualmente, tipos diferentes de aprendizado podem conduzir pessoas com essas dificuldades a um conhecimento do meio ambiente por um treino completamente distinto do treinamento utilizado para pessoas comuns.

O aplicativo proposto poderá será visualizado em dispositívos móveis e poderá ser implantado em displays públicos em pontos fixos. Nesse último caso, o mapa da área escolhida poderá fazer indicações sonoras para a compreensão de portadores de diversos graus de deficiências visuais.

2.3.          Justificativa para o Cadastro Dinâmico de problemas de Desenho Universal.

O espaço urbano, nas condições brasileiras, está continuamente se adequando às novas necessidades da cidade, sob uma alegada força econômica conjunta entre entidades públicas e privadas, sobretudo na previsão de novos eventos internacionais que terão lugar no país. Com isso, podemos supor que haverá um maior dinamismo e consequente desgaste e necessidade de manutenção dos elementos espaciais do espaço público, ensejando cuidados para conter o vandalismo e a obsolescência. Isso pressupõe um modo de gestão que faça frente ao aumento da dinâmica das transformações do espaço físico. No nosso acso, isso justifica atualizar o registro de eventos relacionados ao mapeamento do aplicativo a ser elaborado, visando mostrar o georeferenciamento de prejuízos ou consertos, garantindo uma confiança cada vez maior nas informações que orientam a mobilidade. Para tanto, como mencionado, uma equipe será recrutada para contribuir com o cadastro de problemas de Desenho Universal.  

2.3.1.        Justificativa para a criação de um aplicativo com mapeamento e georeferência independente de terceiros.

Existe hoje um número bem grande de serviços gratuitos e de fonte gratuita para o desenvolvimento de aplicativos que poderiam servir parcialmente a essa pesquisa. Entretanto, esses serviços posuem sempre agravantes pelos quais rejeitamos suas aplicações ao nosso contexto. Por exemplo,  quatro grandes:

  •         Crowdmap: https://ufmg.crowdmap.com/ – Serviço testado pelo proponente dessa pesquisa. Esse aplicativo e o site web ficam vítimas do mapeamento da empresa Google, que não apresenta todas as edificações e cujo serviço pode ser modificado ou indisponibilizado a qualquer momento, sem aviso prévio. Suas versões para aplicativos móveis incluem propagandas que são desejáveis para uma prestação pública de serviço;
  •         Mapbox: https://tiles.mapbox.com/login – Serviço testado pelo proponente dessa pesquisa. Limta-se à criação de mapas estáticos que podem ser chamados por outros aplicativos. Cria, desse modo, duas dependências externas de servidores internacionais. Exemplo: http://a.tiles.mapbox.com/v3/rcesarfs.map-czjtph7o/-43.965285192386354,-19.868620371678553,16/640×640.png
  •         Ushahidi: http://www.ushahidi.com/products – Serviço testado pelo proponente dessa pesquisa.  Apesar de ser uma fonte aberta, até no momento não conseguimos georeferenciar mapas que estejam em nossos servidores. Mais uma vez, ficamos à mercê de servidores externos e estrangeiros.
  •         Urbotip: http://www.urbotip.com/#!/city/114/belo-horizonte – Serviço testado pelo proponente dessa pesquisa. Assemelha-se bastante na interface, exceto pelo fato de seus mapas, na web, serem faltosos de referências atualizadas e dos formatos em planta dos edifícios, e suas versões para computação móvel serem vitimadas pelos mapas imprecisos e deformados da apple. Todos em servidores internacionais. O serviço também pode ficar indisponível ou acrescentar propagandas quando acharem conveniente.

Propomos a escrituração de nossa fonte/programação para a web e para a computação móvel, usando os nossos mapas, que estarão contidos nos servidores da UFMG, livres de qualquer dependência de servidores internacionais. Essa solução já foi dada para outro aplicativo gratuito desenvolvido por nossa equipe para gestão das vagas de estacionamento do Campus Pampulha, possível de ser conferida e baixada em:

https://itunes.apple.com/br/app/estaciona/id582405813?mt=8 http://arq.ufmg.br/rcesar/estaciona/   

Figura 2: Aplicativo “ESTACIONA” para o Campus ufmg: mapa escalável

2.4.          Justifiacativa para a criação da rede social.

Como mencionou-se à página 6, o registro dos problemas ambientais que afetam a acessibilidade e o Desenho Universal poderão ser compartilhados na rede social a ser criada. Essa socialização é hipoteticamente um meio de incluir as percepções coletivas às atividades sociais mais corriqueiras das pessoas, entrelaçando o assunto pesquisado à expressão social da comunidade. Caberá à Universidade decidir se outros assuntos poderão ser integrados aos registros, assuntos que sejam aglutinadores de pessoas nos espaços do Campus, tais como congraçamentos, brechós, apresentações, dentre outros.

3.     Metodologia de trabalho

As etapas que se seguem constituem os passos metodológicos dessa pesquisa, especificando também os aspectos técnicos necessários:

  1.                    criação do mapa escalável do Campus com edificações, dos elementos gráficos e sinais para o aplicativo;
  2.                  Adaptação da cartilha “Municípios construindo acessibilidade: o que todo prefeito deve saber …â€? (Guimarães 2012), com a consecução dos desenhos, story-boards e relações interativas;

III.                Elaboração dos “Mock-upsâ€? desenhando e descrevendo a sequência de operações interativas para visualização das interfaces e escrituração e envio de mensagens dos usuários. Adaptação e escolha de rede social para publicação dos registros de problemas correlatos ao Desenho Ambiental, com a possibilidade de criação de uma rede social própria para escapar da dependência, mudanças arbitrárias e falência das redes sociais importadas;

  1.                Elaboração de um banco de dados em MySQL para abrigar tabelas concernentes aos espaços estudados, bem como armazenamento de marcas, fotos e comentários;
  2.                  Desenvolvimento do aplicativo para Apple Iphone, Apple Ipod e Apple Ipad utilizando o sistema operacional Os 6.1 e o software Xcode 4.1 para compilação do aplicativo na linguagem Objetive-C em computadores Imac. Justificamos a escolha dessa plataforma pela sua reconhecida pervasividade de produtos e serviços. Uma vez que nosso grupo de pesquisa obteve da Apple a assinatura livre para o desenvolvimento de aplicativos acadêmicos, a distribuição do aplicativo gerado será também gratuita e feita com grande facilidade pelo Applestore Brasileiro (loja de aplicativos para os dispositivos Apple);
  3.                Elaboração de versão Web para visualização e gerenciamento dos registros sobre os mapas das edificações através da internet o que permitirá a visualização por aplicativos de todas as outras plataformas. O browse dos dispositivos móveis é avisado para utilizar a interface facilitada;

VII.              Escolha de equipe para registro inicial das situações críticas de desenho universal. Teste do sistema gerado, com sua monitoração por um grupo de pessoas envolvidas na gestão e uso acadêmico dos espaços do Campus;

VIII.            Correção da interface e dos códigos do aplicativo para o seu ajuste às observações anotadas pelo grupo de pessoas que o testaram;

  1.                Coleta de dados dos registros e usuários durante um período de tempo proporcional ao prazo do projeto. Esta etapa visa informar os principais estados críticos relativos ao Desenho Universal e classificar seus registradores para posterior análise.
  2.                  Análise final, que compreende a comparação das conclusões da análise da análise da rede montada e da incidência dos registros feitos pelos usuários. Pretende-se verificar a possibilidade de uso dessas duas análises como um quadro teórico inovador mais do que chegar à uma conclusão final. Isso está de acordo com a idéia de que os fenômenos registrados são dinâmicos e devem ser compreendidos de acordo com as transformações recursivas entre espaços e atividades urbanas. Ao mesmo tempo, isso permitirá o encaminhamento de futuras pesquisas para a instrumentalização do Design Universal e do projeto de espaços no campus.

[1] A generalização do aplicativo estuda a sua parametrização com a modificação de seu estado específico, de forma a não perder os recursos de utilidade quanto ao georeferenciamento.  A generalização pode ser descrita da seguinte forma:  um componente de software C na linguagem L é um componente de software  parametrizado C’ em uma linguagem L’ em que C’ pode ser instanciado a um componente de software feito em L’ que é equivalente ao mesmo software C.

[2] “The design of products and environments to be usable by all people, to the greatest extent possible, without the need for adaptation or specialized design.â€? (Mace, 2012)

[3] “Human Computer Interactionâ€?.

[4]Design is a moral issue.“Raskin, J. (2004). We Are All Blind: Cognetics and the Designing of Interfaces for Accessibility: Introduction to the Special Thematic Session. Paris, Springer.

[5] “A critical way to operationalize values such as access, equity and respect, is through design.â€?Kraus, A. (2012) “Advancing Universal Design.” UA NEWS.

Referências

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Von Senden, S. M. (1932). Space and Sight: the perception of space and shape by the congenitally blind before and after operation. Illinois, Free Press.

Dissertações  orientadas no período

Autor: Fernando Pacheco do Nascimento

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Autor: Rafael Lemieszek Pinheiro

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Relatório Final